FALAR DE CORDA EM CASA DE ENFORCADO!

junho 3, 2007 at 8:59 pm Deixe um comentário

Finalmente apareceu um dos senadores de Minas, o senhor Eduardo Azeredo, que estava quietinho desde a crise do mensalão, quando foi descoberto que ele seria o grande mentor e primeiro executor do esquema de Marcos Valério, no seu governo em 1998. E o senador reapareceu como representante não de Minas, mas dos interesses dos Estados Unidos da América.  É de sua autoria a moção aprovada pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do senado que faz um apelo ao governo venezuelano para que reveja a decisão de não renovar a concessão da rede RCTV. Infelizmente, por se tratar de uma Casa extremamente reacionária, 15 senadores aprovaram o texto, inclusive petistas, tendo se manifestado contrários os senadores José Nery (PSOL-PA) e Inácio Arruda (PCdoB-CE). “Votei contra porque foi um ataque grotesco e muito conservador. Parecia uma daquelas viúvas da ditadura.”, justificou o senador comunista para o jornal O Globo.

 Quanto à justa cassação da concessão da RCTV, já dei minha opinião no post abaixo, que justifico através do excelente texto do jornalista Altamiro Borges. O que mais me impressiona na iniciativa do senador Tucano,  seguida de perto pelo líder da maioria aqui na ALMG, Dep. Domingos Sávio, também do PSDB,  é a cara de pau deles em  falar de liberdade de imprensa. O que? Liberdade de Imprensa? Defendida por tucanos mineiros? É falar de corda em casa de enforcado! Será que esquecem o que acontece no nosso estado? Aliás, esquecer não pode, pois são eles que praticam a censura imposta pelo governo Aécio Neves com a complacência dos donos dos veículos de comunicação de Minas.

 Por falar nisso, vejamos o que acontece na nossa imprensa no mesmo dia que o senador Azeredo saiu da toca em Brasília. Praticamente todos os grandes jornais brasileiros noticiaram o envolvimento do secretário da Fazenda de Minas, Simão Cirineu Dias, com a empreiteira Gautana. Segundo trechos de gravações feitas pela Polícia Federal,  seria ele  um dos elos entre a Construtora Gautama e a Secretaria do Tesouro Nacional, quando foi secretário de Planejamento de José Reinaldo Tavares frente ao Governo do maranhão, que foi um dos presos na operação Navalha.  Seria uma notícia que com certeza ganharia destaque nos jornais mineiros se não fosse a censura aqui imposta. Há dias a imprensa nacional vem dando uma grande cobertura para a operação Navalha. Se desperta o interesse de jornais de outros estados as apimentadas novidades da “Navalha”, não haveria de despertar também na nossa querida mídia das alterosas?  Mas parece não agradar aos nossos editores falar de corda em casa de enforcados. O silêncio continua, como acontece desde a demissão de mais de uma dezena de jornalistas que fizeram matérias que desagradaram ao Palácio da Liberdade, fato amplamente denunciado pelo Sindicato dos Jornalistas e expresso com muita qualidade no vídeo acadêmico LIBERDADE, ESSA PALAVRA.   Em tempo 1: Para os mineiros que vivem sob a censura tucana à nossa imprensa, publico abaixo as matérias que saíram respectivamente nos jornais paulistas O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo sobre o envolvimento do secretário do governo tucano com a empreiteira Gautana: 

Secretário de Aécio é investigado pela Navalha 

Simão Cirineu Dias, da Fazenda, é acusado de atuar a favor da Gautama Ana Paula Scinocca BRASÍLIA – As investigações da Operação Navalha no Maranhão apontam indícios de participação na máfia das obras de Simão Cirineu Dias, atual secretário de Fazenda de Minas. Segundo a Polícia Federal, ele seria um dos elos entre a Construtora Gautama e a Secretaria do Tesouro Nacional.Citado sete vezes no inquérito, Simão foi secretário de Planejamento no governo de José Reinaldo Tavares (PSB), época em que Roberto Figueiredo Guimarães – ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) – atuou como consultor da Casa Civil maranhense. Antes, ambos já tinham trabalhado juntos no Tesouro.Para a PF, a Gautama tinha facilidade de liberação de verba no Tesouro em razão da ligação entre os dois. A investigação incluiu Simão entre os ex-servidores que, por terem ocupado cargos no governo federal, poderiam ter atuado em favor da máfia.Interceptações telefônicas da PF ligam o secretário de Minas a outros integrantes da organização. Em nota, Simão disse que não tem ´qualquer relacionamento´ com os fatos e, ´coincidentemente´, era secretário no período que Roberto Figueiredo atuava como consultor no Maranhão. O governador Aécio Neves não comentou o caso. Segundo sua assessoria, assunto não é de sua gestão. O Estado não localizou Roberto Figueiredo. 

 Publicado no Estado de São Paulo em 31 de maio de 2007 

Secretário da Fazenda de Aécio é citado em grampo da polícia DA AGÊNCIA FOLHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou ontem que “não tem nada a ver com o governo de Minas” a citação do nome de seu secretário da Fazenda, Simão Cirineu Dias, em conversas gravadas pela Polícia Federal.
Ex-secretário de Planejamento do Maranhão no governo de José Reinaldo Tavares (PSB), Simão é citado em conversas entre Zuleido Veras, dono da construtora Gautama, e Roberto Figueiredo Guimarães, ex-presidente do Banco de Brasília.
Aécio disse que seu secretário “chegou a Minas como um dos mais renomados técnicos da área financeira do país” e deu a entender que Simão não será afastado, exceto se as investigações tomarem outro rumo. “Vamos, com muita tranqüilidade, aguardar as investigações.”
Segundo a PF, Simão poderia ser o contato de Guimarães com as autoridades políticas do Maranhão, pois o consultor havia sido secretário do Tesouro Nacional de março de 1990 a outubro de 1992, mesmo período em que Simão trabalhou na Secretaria da Receita Federal.
Em carta, Simão afirmou não ter “qualquer relacionamento com os fatos ora sob investigação”.

Publicado na Folha de São Paulo, no dia 01 de junho de 2007.

Em tempo 2: veja artigo retirado do www.vermelho.org.br sobre o tema: A Administração Federal de Comunicações (FCC na sigla em inglês), um órgão do governo dos Estados Unidos, fechou 141 concessionárias de rádio e TV entre 1934 e 1987. Em 40 desses cdasos, a FCC nem esperou que acabasse o prazo da concessão. Os dados foram levantados por Ernesto Carmona, presidente do Colégio de Jornalistas do
Chile, no artigo intitulado
Salvador Allende se revolve em sua tumba: senadores socialistas comparam Chávez a Pinochet.

Carmona polemiza valentemente com o moderado partido da presidente Michelle Bachelet. Mas o principal valor do artigo está no levantamento sobre concessões não renovadas, em diferentes países. Graças a ele, fica evidenciado a que ponto a mídia dominante, no Brasil e alhures, é capaz de usar uma política de dois pesos e duas medidas, ao cobrir a não renovação da concessão da RCTV venezuelana.
Exemplos do mundo inteiro
Casos citados  pelo jornalista chileno: em julho de 1969 a FCC estadunidense revogou a concessão da WLBT-TV; en 1981 revogou a concessão da  WLNS-T, em abril de 1999, a FCC Yanks Trinity License; em abril de 1998, revogou a concessão da rádio Daily Digest. Só na década de 80 ocorreram dez casos de não renovação.

E prossegue Carmona: “Na Inglaterra, o governo Margareth Thatcher cancelou a concessão de uma das maiores estações de TV do país, simplesmente por ter difundido notícias desagradáveis, embora absolutamente verídicas. Argumentou, simplesmente, que “se tiveram a estação de TV por 30 anos, por que deveriam ter um monopólio?”. Também no Reino Unido, a autoridade estatal decretou em março de 1999 o fechamento temporário do MED TV, canal 22; em agosto de 2006 revogou a licença da ONE TV; em janeiro de 2004, a licença da Look 4 Love 2; em novembro de 2006, a da StarDate TV 24; e em dezembro de 2006 revogou o canal de televendas Auctionworld.”

Do Canadá vem o exemplo da Country Music Television, que teve a concessão revogada em 1999.

A Espanha revogou em julho de 2004 a concessão da TV Laciana (um canal a cabo) e em abril de 2005 a das emissoras de rádio e TV de sinal aberto em Madri; “a seguir, em julho de 2005, determinou o fechamento da TV Católica”.

Na França, revogou a licença da TV& em fevereiro de 1987, e em dezembro de 2004 fez o mesmo com a Al Manar; em dezembro de 2005, fechou a TF1, por ter colocado em dúvida a existência do Holocausto.

A Irlanda revogou em 1990 a licença para a TV3 iniciar suas transmissões.
A Rússia em agosto de 2000 fechou uma emissora de TV por divulgar publicidade subliminar. Já em março de 2006 fechou a TV6.

“…E em nenhum desses países houve campanha…”

Abundam igualmente os exemplos de países do Terceiro Mundo, desde

Bangladesh até a nossa América Latina. No
Peru, em abril passado, foram fechados dois canais de TV e três de rádio por não cumprimento da lei local. O Uruguai revogou em dezembro de 2006 as concessões das emissoras de rádio 94.5 FM e Concierto FM, de Montevidéu.
El Salvador fez o mesmo em julho de 2003 com a Salvador Network.
“E em nenhum destes países houve uma campanha

como a da atual RCTV, cuja concessão durou 53 anos”, ironiza Carmona. E recorda ainda que “a União Internacional de Telecomunicações (UIT) reconhece “em toda a sua amplitude o direito soberano de cada Estado a regulamentar suas telecomunicações, tendo em conta a importância crescente das telecomunicações para a salvaguarda da paz e do desenvolvimento econômico e social dos Estados””. 

Em tempo 3 – Insulza: Não Chamaria atentado a liberdade de expressão o caso da RCTV 
(03/06/2007) Assim afirmou o Secretário Geral da OEA em uma coletiva no Panamá, um dia antes da instalação da Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos. Uma jornalista empregada da RCTV, e que lá estava a trabalhar como tal, iniciou suas perguntas a Insulza mas com uma extensa introdução com apreciações sobre o que ela considerava um ataque a seu Canal,  que o Secretário Geral da OEA cortou solicitando que falasse de uma vez a pergunta que pensava fazer.
 

Cidade do Panamá, 03 de junho de 2007 / O Secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, expressou que no chamaria um atentado a liberdade de expressão na  Venezuela a não renovação da licença de transmissão a Radio Caracas Televisión (RCTV) por parte do Governo.Assim afirmou durante uma coletiva com a imprensa na Cidade do Panamá, onde se realiza a assembléia da OEA, e posteriormente em uma entrevista que foi publicada no diário El Mercurio, do Chile.

. Acrescentou: “No chamaria um atentado a liberdade de expressão. Atentado é uma palavra muito forte”. Em sua opinião, a não renovação da concessão “ prejudica o clima de liberdade de expressão com que deve operar a imprensa em todas as partes, mas em seguida referiu que a decisão soberana do Governo Venezuelano em relação ao canal “tecnicamente é uma não renovação de concessão” e não uma censura. 

“Não se trata de uma censura: disseram que não pode seguir transmitindo por canal aberto, mas podem transmitir por cabo ou satélite. O que foi cortado é a concessão de TV aberta”,  insistiu.Na coletiva no Panamá, uma jornalista empregada da RCTV, e que lá estava a trabalhar como tal, iniciou sua rodada de perguntas a  Insulza mas com uma extensa introdução com apreciações sobre o que ela considerava um ataque a seu Canal,  que o Secretário Geral da OEA cortou solicitando que falasse de uma vez a pergunta que pensava fazer. 

Insulza recordou em 5 de janeiro passado advertiu que “isto seria visto como um atropelo grave a liberdade de expressão” e “mantenho o que foi dito: foi visto assim> e também é certo que o Governo da Venezuela tem atribuições para renovar ou não as  concessões”.Ora/VTV/ABN 

EM tempo 4 – Chanceler  Maduro: Venezuela demolirá campanha de manipulação mediática  internacional

Ressaltou o Chanceler venezuelano o caráter legal e soberano da medida adotada pelo governo Bolivariano sobre a não renovação da concessão do canal da empresa privada 1 Broadcasting Caracas (1BC), que venceu domingo passado, 27 de maio. 

Cidade de Panamá, 03 de junho de 2007 / «Venezuela demolirá as campanhas de manipulação da oligarquia internacional dos meios de comunicacão», disse este domingo o ministro do Poder Popular para as Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro.«Nós é dado uma grande oportunidade para que este tema entre nas casas de milhões de homens e mulheres do mundo que querem mais liberdade e que querem acabar com a ditadura da oligarquia », afirmou Maduro em sua chegada a  Cidade do Panamá para participar do XXXVII período de sessões ordinárias da Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Sinalou que a soberania da Venezuela deve ser respeitada, pois o país tem cumprido com as leis e processos eleitorais transparentes. Expressou sua satisfação porque se havia aberto um debate internacional sobre este tema, mas esclareceu que se devem respeitar os argumentos que Venezuela defende.«Acreditamos na democratização do espaço radioelétrico em nossas sociedades. Não pode ser que pequenas famílias pretendam, através das  televisões, converterem-se em um poder que impõe a cultura, política, idéias e costumes em um país », explicou Maduro.

O  Chanceler não descartou a possibilidade de conversar com sua colega dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, sobre a base de respeito com a Venezuela, América Latina e Caribe.

«Sobre a base de respeito e a não ingerência em nossos assuntos internos é possível tudo», destacou.

Indicou que espera que haja um encontro com os chanceleres  de diversos países para facilitar e coordenar temas relacionados com assuntos bilaterais e projetos comuns.

«Seguramente vamos trocar idéias para fazer avançar mais o projeto da União Sul-americana de Nações (Unasur), de a Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) e Petrocaribe», concluiu.

Amagov / VTV / ABN    

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RCTV GOLPISTA JÁ VAI TARDE BENTO XVI: VOLTA AO PASSADO

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Carlin PCdoB

Carlos Magno de Moura Soares, o Carlin, é Deputado Estadual pelo PCdoB de Minas Gerais, eleito com 21.048 votos. Nascido no dia 29/02/1968, na pequena cidade mineira de Virgolândia, no Vale do Rio Doce. Filho de lavradores ele é um dos mais novos da família de 13 irmãos. Carlin iniciou sua militância política ainda jovem atuando no movimento estudantil. Chegou à vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE). Formou-se em Jornalismo pela PUC-Minas e em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde também cursou seu Mestrado. Foi o primeiro vereador eleito pelo PCdoB em Contagem, onde teve um mandato marcado pela participação popular.
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